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Sangue: muito além da classificação A B O

mai 21 2012

O sangue é o líquido que faz com que a vida continue. É ele que transporta os nutrientes, o oxigênio, e contribui para os processos metabólicos dos tecidos, além de ser o responsável por regular a temperatura interna do corpo humano.

Ele é classificado em grupos e subgrupos de acordo com os antígenos, partículas capazes de iniciar uma resposta imune no organismo. Mas o que pouca gente sabe é que, além do sistema conhecido de classificação, existem outros tipos de grupos também importantes no momento da transfusão. Ao todo são 29 sistemas, sendo os mais importantes e conhecidos, o ABO (A, B, AB e O) e o Rh (positivo e negativo).

“Para se ter uma ideia, quanto ao sistema Rh, nós dizemos que um indivíduo é positivo ou negativo, mas este é apenas para o principal antígeno do sistema, o antígeno D. Para esse importante sistema, temos ainda mais outros 50 antígenos e 4 deles são muito importantes que são o “C”, “c”, “E”,  e “e”  (lemos C grande, c pequeno e assim por diante)”, explica a gerente técnica e laboratorial do Criobanco Medicina e Terapia Celular, Silvania Lanes.

Silvania pontua alguns sistemas existentes como Diego, Dombrock, Kell, Duffy, Kidd, Lutheran e John Milton Hagen (JMH) e explica a nomenclatura curiosa de muitos deles. “Em alguns casos, foram chamados com os nomes dos pacientes em que os antígenos foram descobertos. O grupo Diego, por exemplo, é raro na população em geral, mas comum em índios e asiáticos. Ele pode ser dividido em A e B, e cada um pode ser positivo ou negativo. A prevalência de Dia (Diego A) na população geral é baixa, mas pode chegar a 46% em índios brasileiros (segundo alguns trabalhos publicados no Brasil), o que pode estimular a produção de anticorpos que são clinicamente significantes em medicina transfusional e neonatal”, acrescenta Silvania.

Ela ressalta ainda que o sangue de um indivíduo pode ser classificado em todos os sistemas existentes. “O paciente pode ser B RhD positivo (B+), e ao mesmo tempo Dia negativo, Dib positivo no sistema Diego, Fya positivo e Fyb positivo no sistema Duffy e assim seguir a classificação de antígenos nos demais sistemas, se necessário”, diz.

Transfusões

A importância maior disso nas transfusões é que, se um indivíduo é tipado como “negativo” para determinado antígeno e recebe uma bolsa de hemácias (glóbulos vermelhos) de um doador que é “positivo” para este mesmo antígeno, o sistema imunológico do paciente pode reconhecer essas hemácias do doador como estranhas e produzir anticorpos contra elas. “Assim, nas próximas transfusões veremos bolsas incompatíveis por conta desse anticorpo produzido pelo paciente”, pontua Silvania.

Curiosidades

- Um adulto possui cerca de 5 litros de sangue circulando em seu corpo e o líquido ganha importância especial na defesa da integridade do organismo, pois nele estão concentrados os principais meios de defesa contra o ataque de agentes externos.

 - Pelo sistema ABO, no Brasil, os grupos sanguíneos mais comuns são o O e o A. Juntos eles abrangem 87% da população. O grupo B contribui com 10% e o AB com apenas 3%.

 - No sistema ABO, o sangue que apresenta menor percentual na população brasileira é o AB Negativo, presente em 0,5% dos habitantes.

 - As hemácias de um indivíduo do grupo O Negativo podem ser transfundidas em qualquer pessoa e são usadas nos serviços de hemoterapia para atender emergências quando não se sabe o tipo sanguíneo do paciente ou não é possível determinar antes da transfusão por causa do risco de vida. Mas apenas 9% dos brasileiros possuem esse tipo sanguíneo.

 - O O Positivo é o sangue mais utilizado no Brasil. O estoque de um serviço de hemoterapia deve ter, no mínimo, 50% desse tipo sanguíneo.

 - No sistema Diego, o antígeno Diego “b” é antígeno de alta frequência, ou seja, encontramos em mais de 99% dos doadores.



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