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Papel terapêutico das células-tronco

jul 20 2013

Os eventos associados à parada cardiorrespiratória podem resultar em sequelas graves, especialmente em crianças. Os traumas resultantes, na maioria, são neurológicos, como a paralisia cerebral, devido ao quadro de isquemia cerebral generalizada. Os pacientes que sobrevivem a esses eventos possuem prognóstico variável e não há terapêutica, até o presente momento, que possa curar ou mesmo amenizar o quadro clínico pós-trauma.

A partir de 2006, relevantes estudos utilizando células-tronco de sangue de cordão umbilical em ratos com paralisia cerebral induzida foram capazes de demonstrar uma importante recuperação da paralisia. Esses dados apontam para um diferenciado papel terapêutico dessas células, que poderiam ser utilizadas no tratamento de casos semelhantes em humanos.

Em 2009, uma criança alemã de 2 anos sofreu uma parada cardiorrespiratória e foi acometida por um evento isquêmico cerebral grave. Parte do tecido cerebral necrótico foi removida e após o procedimento o paciente permaneceu em estado vegetativo.

O quadro clínico desfavorável do filho levou os pais a procurarem por terapias alternativas para o tratamento. Uma vez que haviam coletado o sangue de cordão umbilical da criança, foi proposto o transplante autólogo das células do sangue de cordão, cerca de 9 semanas após a parada cardiorrespiratória.

Após o transplante, importantes evoluções no desenvolvimento psicomotor da criança foram observadas, seguido de melhora significativa de todos os outros sintomas associados à paralisia cerebral. Cinco meses após o procedimento já havia progressos significativos na fala, que se desenvolveu de forma compreensível. A criança era capaz de brincar com brinquedos associados à sua idade, além de reconhecer e nomear partes de seu corpo.

A evolução continuou de forma significativa e, após um ano do transplante, o jovem paciente era capaz de sentar-se sem auxílio, a ter controle fino dos movimentos das mãos e de desenvolver capacidade de interação social. De forma inesperada, após 40 meses do tratamento, uma regeneração sem precedentes pôde ser documentada. Não apenas a cognição do paciente fora reestabelecida, como sua capacidade de formar frases completas e manter-se na posição vertical.

A análise do caso do paciente conferia apenas de 6% de chances de sobrevivência, e o prognóstico aos que sobrevivem era reservado. Contudo, embora não haja evidência estatística que possa descartar a casualidade da conduta terapêutica, dados em modelos animais suportam a hipótese de que o transplante de células-tronco do sangue de cordão é, de fato, eficaz na regeneração de danos cerebrais, especialmente em crianças.

Bruno Verbeno
Coordenador Clínico Científico do Criobanco



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